Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

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São Paulo, SP, Brazil
O Blog acredita que a troca de conhecimentos e experiências entre pessoas de um coletivo pode contribuir para seu crescimento e desenvolvimento. Esperamos colaborar com esta troca, assim como revelar as particularidades e as riquezas das pessoas que compõe o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientae. Fazem parte da Equipe do Blog: Adriana Dias, Bianca Giusti, Fernanda Borges, Gisela Haddad e Peu Robles,

terça-feira, 20 de junho de 2017

Fundação do Departamento de Psicossomática Psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae

O Blog do Departamento convidou as colegas Aline Camargo e Cristiane Curi Abud para dar notícias sobre a Fundação do Departamento de Psicossomática Psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae


 



No dia 17 de maio de 2017 aconteceu a fundação do Departamento de Psicossomática Psicanalítica. Há muito se aguardava a constituição de um grupo forte e atuante de alunos e ex-alunos que enfrentasse a empreitada da criação do Departamento, cujo embrião foi o curso de Formação de Psicossomática Psicanalítica – corpo e clínica contemporânea, especialização oferecido pelo Instituto Sedes Sapientiae. O curso de Formação completará 25 anos em 2018, esteve sempre presente nas múltiplas atividades do Instituto. Possui uma ampla produção científica em termos de simpósios, livros, participação em congressos, e já realizava ao longo desses anos diversos intercâmbios no Instituto com outros cursos, departamentos e com a sua Clínica Psicológica.

Na continuidade da história do Departamento, em 2000 deu-se a criação do Projeto de Atendimento e Pesquisa em Psicossomática Psicanalítica, fundado por colegas que fizeram o curso de Formação. O Projeto atua na Clínica do Sedes e pode ser considerado um outro embrião para o Departamento que hora aconteceu. Voltado ao atendimento de casos de grande complexidade psicossomática, o Projeto vem realizando além dos atendimentos, pesquisa e produção científica apresentada em jornadas e publicações. Entre suas produções se destaca um livro de casos clínicos lançado em 2015 cujo foco é a especificidade dessa clínica que vêm desenvolvendo.

O curso de Expansão Cultural: Introdução à Psicossomática Psicanalítica. Uma visão teórico-clínica, coordenado pela colega Sônia Maria Rio Neves, com a participação de alguns colegas do Projeto também contribuiu para que se chegasse a formação do Departamento na medida em que, desde seu início, em 2002, vem apresentando a Psicossomática Psicanalítica de forma introdutória e despertando o interesse de muitos alunos para dar continuidade a este estudo no curso de Formação.

Assim, o sonho da criação deste departamento vem sendo artesanalmente construído ao longo destes 24 anos. A comissão criada pelos alunos há dois anos deixou-se tocar, muito sensivelmente, por esse sonho compartilhado e tratou de fazer dele uma realização, a realização do Departamento de Psicossomática Psicanalítica do Instituto Sedes Sapientiae. Como bem lembrou Rubens R. Volich na sua fala durante a cerimônia, “o sonho de um é apenas um sonho. O sonho de muitos é realização”.

Este foi um momento histórico da psicossomática psicanalítica brasileira pela importância que o Instituto Sedes tem no campo da psicanálise, Instituto este que sempre acolheu e estimulou nossas atividades e foi muito receptivo a todo o processo de constituição do Departamento.

A cerimônia coordenada por Vanessa Lazaratto, membro da Comissão para formação do Departamento, foi aberta pela participação da colega Maria Auxiliadora Arantes em nome da diretoria do Instituto. Ela lembrou em sua fala que esteve como docente do curso por muitos anos desde o início. Na sequência falaram os coordenadores do curso de formação Rubens R.Volich e Maria Luiza Ghirardi, seguidos por Denise Moreira que falou em nome do Projeto. Helen Spanopoulos apresentou a história do grupo fundador, sua trajetória e o intenso trabalho exigido nessa elaboração. Fruto de encontros semanais, foi elaborado pelo grupo o regimento do Departamento a partir do material deixado por movimentos anteriores de tentativa de fundação deste. Tentativas estas que não foram a termo, dada a dificuldade para quebrar resistências institucionais que naturalmente se impõe quando se trata de instituir o novo. Foi necessária a maturação dos embriões somada à força da comissão para tornar possível a instituição do Departamento de Psicossomática Psicanalítica.

Contando com a presença de colegas e amigos de diversos setores do Sedes, a assembleia terminou com as falas destes dando as boas vindas ao Departamento e com a leitura dos carinhosos e-mails enviados por aqueles que não puderam estar presente.

Seguiu-se um animado coquetel de confraternização no qual celebramos a conquista junto aos colegas de outros cursos e Departamentos, com destaque para a expressiva participação de membros do Departamento de Psicanálise.

Para além da história o evento foi festivo e celebrou a consolidação desse sonho coletivo.

Mais informações através do e-mail psicossomaticapsicanalitica@sedes.org.br

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Livro: VERTENTES DA PSICANÁLISE - O Hospital. A violência. A Clínica e a Escrita

Maria Laurinda R. de Souza faz um pequeno resumo sobre seu recém-lançado livro da Coleção Clinica Psicanalítica organizada por Flavio Ferraz




VERTENTES DA PSICANÁLISE

O Hospital. A violência. A Clínica e a Escrita

Este livro é o registro de um percurso itinerante. Reúne textos que circulam por diferentes temas e lugares institucionais:

. O Hospital como espaço terapêutico.
. As referências para os projetos de saúde mental a partir da década de 70. 
. As marcas da cultura na constituição da subjetividade.
. As múltiplas manifestações da violência - seus excessos e banalização. . . As condições do trabalho no mundo contemporâneo.
. A delicadeza da clínica.
. As inquietações e o prazer da escuta e da escrita. 

Se fosse possível criar um neologismo a diversidade desses temas e lugares ocuparia o espaço de uma única palavra já que, entre todos, há uma imbricação e um atravessamento mais ou menos explícito. Daí a idéia de Vertentes da Psicanálise - pois se trata do relato de experiências vertidas e construídas com  as referências desse campo.

Quando terminei o livro sobre a Violência, em 2005, tinha um novo projeto: escrever sobre a amizade. A amizade e a solidariedade como contrapontos à violência, ao desamparo e à apatia. O convite amigo de Flávio Ferraz para realizar esta coletânea modificou o projeto inicial, mas, ao final, a releitura dos textos escolhidos,  tornou evidente essa polaridade em muitos deles.

Como, por exemplo, nos textos sobre o hospital onde o conflito entre o ódio e o amor se faz explicitamente presente. Ou nas análises sobre a violência onde se enuncia a necessidade de alternativas como o espaço do sonho, da palavra e da criação e o dever,  enquanto cidadãos, de lutar pela defesa da res pública, da ética e da justiça.

Ou, ainda, na singeleza com que uma criança fala de seus medos e ensaia novas maneiras de criar marcas nos outros e suportar seu desamparo. Ou me convoca à escrita da clínica ao fazer, em um de seus desenhos, um gesto de autoria, transformando um rabisco na assinatura do nome próprio.

A escrita pode, então, ser pensada como uma tentativa de deixar marcas nos outros; um desejo de criar laços, de promover encontros e, paradoxalmente, de separar-se, de seguir por outros caminhos. É, como disse Clarice Lispector (2010), um gesto de delicadeza: “Nem tudo que escrevo resulta numa realização, resulta numa tentativa. O que também é um prazer. Pois nem em tudo eu quero pegar. Às vezes quero apenas tocar. Depois o que toco às vezes floresce e os outros podem pegar com as duas mãos” (p.23 1

Este livro é também um ato de gratidão ao legado recebido dos autores que, com seus escritos, me encantaram, inquietaram e me ajudaram na construção e reconhecimento do meu lugar de analista. É, enfim, um registro das marcas deixadas em mim pelos que, com sua presença atenta, me escutaram e pelos que, desde um outro lugar, me concederam o privilégio e a possibilidade de escutá-los.

Meu desejo é que ele floresça e que alguns outros possam pegá-lo com as duas mãos.

M. Laurinda R. Souza é psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Sedes Sapientiae, professora do Curso de Psicanálise e autora do livro Violência (2005) da Coleção Clínica Psicanalítica










1 Lispector, C. Crônicas para jovens de escrita e vida. RJ: Rocco, 2010.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Coleção Clínica Psicanalítica

A Coleção Clínica Psicanalítica, organizada pelo psicanalista Flávio Ferraz, lança mais um título: Sublimação e Unheimliche. Nele, a psicanalista Alessandra Martins Parente trata dos dois conceitos que dão nome ao livro por meio de um retorno à obra de Sigmund Freud, e estabelecendo algumas relações entre esta e a filosofia de Walter Benjamin. A matéria é tratada a partir de uma perspectiva histórica, que coloca essas duas noções da psicanálise em sintonia com os períodos em que foram inventadas pelo mestre de Viena.





            Em Sublimação e Unheimliche, Alessandra Martins Parente dá dois passos em direção ao mapeamento, que pretende fazer, das categorias estéticas, existentes na obra freudiana. Segundo a psicanalista, que se dedica atualmente à pesquisa do estrangeiro em Freud, terceira e última dessas categorias, o conceito de sublimação tem sido usado de duas formas equivocadas na atualidade. Uma delas tem sido a de adotar o termo para tratar de aspectos muito distantes daqueles abordados por Freud sob tal nomenclatura. O maior exemplo dessa estratégia é, sem dúvida, o de Jacques Lacan em seu Seminário 7 – A ética da psicanálise. Ali, diz a psicanalista, observa-se um modo completamente inédito de tratar psicanaliticamente questões relacionadas à criação das obras de arte e da cultura, mas que pouco tem a ver com aquilo que o pai da psicanálise efetivamente dizia. A outra maneira é ainda mais problemática: trata-se de seu uso hoje da mesma maneira como o concebeu Freud, ainda no final do século XIX, começo do século XX. Para Alessandra Parente, essa estratégia é delicada por ser anacrônica e pouco interessante para pensar os processos psíquicos que se revertem em obras da cultura nos dias atuais. Faltava, declara, o esforço de situar historicamente o conceito, já que pensar os processos psíquicos e sociais, pelos quais se dão as formações das obras da cultura, exige uma contínua crítica histórica e política.
Observando o contexto da Viena fin-de-siècle, a autora pôde perceber os meandros do conceito de sublimação e o espírito melancólico que o envolve. Ao contrário de outras manifestações psíquicas, como os sonhos ou os sintomas, o processo sublimatório acaba por envolver os restos que resistem ao status quo com uma camada que apazigua seus efeitos subversivos. Isso ficou claro, diz Alessandra Parente, com a análise tanto da atmosfera do Império Austro-húngaro, como de obras específicas do período estudado. Uma delas foi O Édipo e a esfinge de Hugo von Hofmannsthal, vista pelo prisma das análises benjaminianas sobre o drama barroco alemão. Esse modelo sublimatório foi identificado ainda em algumas facetas do romantismo alemão, na análise de obras de Gustav Klimt e em As afinidades eletivas de Goethe, lida criticamente por Walter Benjamin. O próprio estilo freudiano traz, pelo menos até a Primeira Guerra, esse molde sublimatório carregado de alguns traços melancólicos.
                Diferente desse perfil é aquele que se desenha no fenômeno unheimlich. A psicanalista lembra da anedota, bastante conhecida, de que dentre os textos freudianos dedicados à metapsicologia, e escritos durante a Primeira Guerra, haveria um sobre a sublimação, que teria sido destruído pelo pai da psicanálise. Sua hipótese é de que, com a guerra, Freud teria percebido os limites da sublimação e, em 1919, teria recuperado as esquecidas páginas esboçadas por ele sobre o Unheimliche. Teria feito isso, alega a autora, ao notar que este paradigma seria mais coerente com os aspectos formais da cultura pós-guerra. Aqui a psicanalista dedica-se a pensar como emergem os processos psíquico-sociais existentes na concepção formal de obras da cultura, ligadas à categoria de Unheimliche. Em sua visão, eles só podem aparecer no interior da temporalidade própria à psicanálise – a Nachträglichkeit –, que teria uma relação estreita com a filosofia benjaminiana da história. Nesse momento, os processos psíquicos capazes de configurar a cultura trazem também um traço do pânico, pois há um desamparo, inerente aos terrores deixados pela guerra, que exige outros caminhos psíquicos e sociais. Nesse ponto, a autora persegue, como antes, a materialidade correspondente à categoria agora abordada, resgatando aqui outro prisma do romantismo alemão – o de E. T. A. Hoffmann –, as obras de Egon Schiele e outra peça de Hugo von Hofmannsthal – A torre.

É importante notar, ainda, que o livro traz, do começo ao fim, um delicado viés feminista. Essa perspectiva surge na medida em que seus questionamentos apontam para os limites do patriarcado, no qual estavam fundados os pilares da cultura tanto no Império Austro-húngaro, como na ideologia nacionalista que buscava justificar uma guerra imperialista, cujas consequências terríveis reverberam ainda hoje.

Alessandra Martins Parente é psicanalista e pós-doutoranda pela FFLCH-USP.

domingo, 1 de janeiro de 2017

O texto mais lido de 2016 no nosso blog: Pais para que? de Vera Iaconelli



PAIS PRA QUE? 

O termo “pais” encerra uma ambiguidade em português, podendo se referir tanto aos homens na função parental, quanto ao casal parental. Neste sentido, a pergunta do título, visa os dois sentidos, mãe/pai e pais, uma vez que um reflete diretamente no outro. 
Desde o século XV, com os problemas sociais decorrentes do descaso generalizado a que estavam submetidos bebês e crianças, que se busca uma forma de se dar conta desta população. Não havendo contracepção eficaz, o aborto colocava em risco, muito mais do que hoje, a vida da mulher e obviamente as gravidezes não respondiam necessariamente ao desejo dos pais. A massa de bebês e crianças, mortas, abandonadas e entregues aos cuidados de mães mercenárias vai se tornando um problema social que aflige a todos e onera o estado. Saídas como criá-los para se tornarem militares ou ocuparem as colônias vão esbarrando na necessidade de que os cuidados iniciais sejam suficientes para que estas crianças cheguem a idade adulta minimamente saudáveis.  Mas como sabemos, os cuidados que demandam bebês e crianças até chegaram a adquirir alguma autonomia são de tal magnitude que logo ficou claro quão oneroso seria para o estado se incumbir de tal tarefa. Feitas as contas, percebe-se que arregimentar a mulher nesta tarefa a partir do apelo da amamentação, quem melhor para cuidar do bebê do que aquele capaz de alimentá-la naturalmente?, é a solução com melhor relação custo benefícioi. A partir daí um alonga campanha encampada por cientistas, artistas e religiosos e que demoraria séculos para surtir seus efeitos de adesão das mulheres vai provando por “a+b que a mulher é a cuidadora insubstituível do bebê e da criança. Dentre suas incumbências estão a saúde física, psíquica, religiosa, intelectual e moral de cada criança. A cada uma destas responsabilidades impostas corresponde um profissional obsequioso de orientá-la e avaliá-la em seu fazer junto a criança (médico, psicólogo, padre, professor...). A contrapartida desta incumbência é um certo reconhecimento social nesta função. Uma mãe dedicada é uma boa mulher, piedosa, psiquicamente sã e moralmente louvável. O pai é o provedor e aquele que deixa espaço na agenda para que ela seja mais mãe do que mulher. Deixa tanto espaço que por vezes prefere buscar os préstimos de outras mulheres no que tange à sexualidade, que passa a estar maculada pelo imperativo reprodutor quanto se trata da esposa. 
Pano rápido e nos vemos no século XXI, época em que a amamentação não pode ser diretamente associada à sobrevivência dos bebês, a contracepção teve grandes avanços e o provedor se divide igualmente entre homens e mulheres. Caberia perguntar quem se incumbe do bebê hoje? Ainda, exclusivamente as mulheres. E quando não, trata-se do pai-arremedo, aquele que quando é bom pai é “quase” uma mãe, ou um “pãe”. 
A psicanálise também não deixa de ler a ausência da mãe como um prejuízo incontornável para o bebê e a ausência do pai como um clássico “declínio do patriarcado”. Saudosismos seculares à parte, cabe perguntar afinal, “pais pra que?”  
A constituição do sujeito implica que o recém-nascido receba do outro um desejo não anônimo para “chamar de seu”, que seja alvo de imensa dedicação e investimento narcísico, vulgarmente conhecido por amor; que herde um lugar no registro simbólico a partir de sua nomeação e que receba incansáveis cuidados e proteção ao longo de muitos anos. Tarefa incansável e árdua que implica em um entorno que sustente quem a realiza. O mesmo entorno que nos séculos precedentes vem cobrando as mulheres de realizá-la por sua conta e risco, usando o famoso “toma que o filho é seu”, e que nossa época passa a questionar. Se as condições de criação de sujeitos implicam em: desejo não anônimo, dedicação, amor, lugar simbólico, nomeação, cuidados e proteção, porque seria restrita às mulheres?  
Afinal, não é para isso que servem os pais?  
E ao Estado, que não se furta a fazer ingerências sobre o corpo feminino, arbitrando sobre contracepção, aborto e parto, batendo na tecla no feto-cidadão, também não caberia dar verdadeira consequência a esta posição assumindo integralmente os cidadãos nascidos sem estatus de filho que as gravidezes indesejadas impõem aos pais, mas acima de tudo à mulher? 
Muitas são as questões que se abrem em nossa época a partir das novas configurações parentais. A psicanálise não pode se furtar a enfrentá-las de forma aberta e reflexiva, assumindo sua vocação de estar “a altura de seu tempo”, como nos dizia Lacan, inspirado na direção ética proposta por Freud.  



[1] Para mais informações sobre este capítulo da história dos cuidados com a prole humana ocidental recomenda-se os já clássicos: 
ARIÈS, P. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
BADINTER, E. Um amor conquistado: o mito do amor maternoRio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
DONZELOT, J. A polícia das famílias. 2. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1986. 




Vera Iaconelli é mestre e doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo. Coordenadora do Instituto Gerar de Psicologia Perinatal, onde realiza curso de formação, desenvolve pesquisa em psicologia perinatal e coordena a clínica social para gestantes e mães de bebês. membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Atua como psicanalista em clínica particular.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Clínica do Sedes Sapientiae existe há 68 anos. Saiba um pouco sobre este excelente trabalho de equipe no texto de Cláudia Monti

Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae
Uma parte de sua história


Na recepção a novos pacientes, em um grupo composto por pais e mães de 7 crianças, 5 trazem como motivo de sua vinda o fato de que seus filhos não estão correspondendo às expectativas da instituição escolar que freqüentam: seja em relação à aprendizagem formal, que não vem ocorrendo no momento e da forma esperados, seja em relação ao modo de estar no espaço escolar. Em geral, a fala que se repete é a de que “não param quietos, não se concentram, não atendem aos pedidos que lhes são feitos. Só querem brincar”. Muitas destas crianças, aos 6 ou 7 anos de idade, já chegam à Clínica com diagnósticos prévios fechados e medicadas.


O modo como escutamos e conduzimos esses primeiros encontros revela nosso compromisso ético-político: além da história singular de cada um, nos propomos pensar o sujeito criança inserido e afetado por seu contexto sócio cultural, incluindo na compreensão e manejo clínicos as relações entre as diversas instituições que compõem a trama da constituição subjetiva, ainda em curso no período da infância. Dessa forma, pais, família mais extensa, escola, cidade e cultura hegemônica que dita expectativas e modos de ser são incluídos em nossa escuta.


Já de início o dispositivo sustenta outro de nossos referenciais: a aposta na potência dos atendimentos grupais e seu manejo, que, transversalizando os saberes, contribui para implicar aquele que nos procura com um pedido de ajuda.


Apesar de concebida atualmente como sujeito de direitos, a criança tem espaço cada vez mais reduzido na atual trama sócio cultural. Como considerar o não saber de si, a incompletude constitutiva nesse contexto de exigência de resultados e de medicalização da infância e da vida? Essas são algumas das questões que nos fazemos ao elaborar um projeto terapêutico de atenção construído para cada paciente da Clínica.


O prosseguimento do trabalho já iniciado no Grupo de Recepção pode se dar nos Grupos Terapêuticos, nos Atendimentos Familiares ou Individuais conduzidos pelos Terapeutas Contratados; pelos Terapeutas Voluntários dos 11 Projetos que se articulam em torno de questões específicas ou pelos Aprimorandos provenientes dos vários cursos do Instituto e alocados em uma das 8 Equipes Clínicas*. Há também atendimentos realizados pelos chamados Voluntários, que já finalizaram o período de 2 anos de aprimoramento e permanecem na Clínica realizando atendimentos individuais e grupais e um Cadastro de Terapeutas que compõem a rede externa de atenção e que conhecem o modo de funcionamento da Clínica. Estes recebem pacientes que finalizaram o percurso na Clínica Institucional.


A discussão clínica e o acompanhamento dos atendimentos ocorre no diálogo entre prática e teoria, o que possibilita um conhecimento vivo, criativo, que reconhece e considera a assimetria e diversidade do percurso formativo de cada um. As Equipes Clínicas são também local de referência da história clínica e do percurso institucional de cada paciente atendido na Clínica.


Os princípios e diretrizes que nos servem de bússola, mas que se aprimoram e se modificam na constante avaliação de nosso fazer clínico que não separa gestão de atenção, estão descritos no Projeto Clínico- Ético-Político. Concretização das proposições gestadas em um vibrante movimento que ocorreu no Instituto Sedes nos anos 1990, quando a então Diretoria convocou os vários Cursos e Departamentos do Instituto a repensar a estrutura da Clínica. Movimento coletivo que, ao aliar as contribuições dos vários profissionais que trabalharam na Clínica às proposições dos diversos grupos de trabalho, resultou na elaboração de projetos que trouxeram significativas mudanças no modo de funcionamento desta e, após um período de funcionamento e avaliação, possibilitou a elaboração e implantação do projeto atual.


Mas a Clínica tem longa história - é a primeira Clínica Psicológica do Brasil e sua trajetória está intimamente ligada à implantação e regulamentação da Psicologia em nosso país. Fundada em 1948 por Madre Cristina, a Clínica e os cursos livres de especialização mantiveram-se ligados ao Instituto Sedes após a reestruturação governamental em torno de Faculdades e Universidades.


Fruto de muitos anos de construção de um fazer clínico politicamente implicado na busca da transformação não só do sujeito a ser atendido, mas da realidade social que o constitui, o fazer clínico na Clínica segue possibilitando movimentos contínuos de transformação que nos convidam a todos: pacientes, terapeutas, professores, supervisores, enfim, todos  aqueles que buscam e têm afinidade de pensamento com as práticas e princípios de nosso Departamento e deste Instituto.

*Para mais detalhes, acessar o link: http://sedes.org.br/site/clinica-psicologica/


Cláudia Justi Monti Schönberger - Dezembro / 2016
Psicóloga, Psicanalista, Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, Coordenadora de Equipe Clínica e uma das Coordenadoras do Projeto de Atenção à Infância e Membro da Equipe Gestora 2014-2016 da Clínica do Instituto Sedes Sapientiae.



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Os poliálogos nas sociedades de matizes

Texto de Alcimar Alves de Souza Lima




Por ocasião das manifestações nas ruas no ano de 2013, escrevi o artigo “Das sociedades de massas às sociedades de matizes”. Neste texto abordei um acontecimento ímpar, que era uma nova auto-organização do social a qual estava sendo pulsada naquele momento.

Esta nova forma consistia em que a população estava podendo se auto-organizar nas redes sociais a respeito de suas insatisfações políticas. Num segundo momento deste processo, o que estava acontecendo no universo virtual realizava-se nas ruas. Verdadeiras nuvens de pessoas ocupavam as esferas públicas aparentemente sem nenhuma proposta concreta no sentido político/social. Apesar dos disparadores todos os conteúdos manifestos em cartazes, que surgiam num primeiro momento,pareciam confusos e desconexos,mas, os elementos latentes viriam a surgir em outras manifestações e seriam elaborados a posteriori.

Este processo não cessou mais...

Acredito que tudo isso foi possível e está sendo possível por duas razões: o avanço tecnológico no campo das comunicações e como a população foi se apoderando destas novas produções tecnológicas.

Uso o termo APODERANDO porque ele é fundamental para compreendermos a passagem de época que estamos vivendo neste momento histórico.

A forma de se fazer e de se produzir política nunca mais será como outrora. A própria ética, ou melhor, a produção de uma nova ética nas sociedades contemporâneas, não se dará porque o homem está ficando mais humanizado e que caminha sempre em direção ao progresso, isto é um mito. Muito pelo contrário. O homem tem atração pela barbárie, e isto observamos a todo momento nos atentados terroristas produzidos por associações ou lobos solitários, que não sabemos bem o que são: loucos, sociopatas, narcisistas, exibicionistas ou qualquer outra designação que possa surgir.

No momento, julho de 2016, vivemos as incertezas a respeito dos atentados terroristas em Nice, que no início parecia ser do tipo lobo solitário, mas as recentes reportagens nos mostram que outros participantes também poderiam estar presentes no dito atentado.

No golpe e contra golpe da Turquia as redes sociais também tiveram o seu protagonismo.

Destaquei como nestes atentados, golpes ou manifestações de rua estão presentes novas formas de atuação política. Uma nova forma de auto-organização hipercomplexa está pulsando no social produzindo acontecimentos que sem a utilização do CIBERESPAÇAO seriam impossíveis.

Assim sendo, esses novos dispositivos que os avanços tecnológicos tornaram possíveis, estão produzindo a inclusão em nosso cotidiano de uma forma muito intensa de circulação da informação em tempo real.

Hoje transitamos por ele diuturnamente. Isto está produzindo a possibilidade de pensarmos novas expressões éticas.  A ética da tolerância entre diferentes povos e culturas precisa ser repensada, pois está contida na palavra tolerância uma arrogância que precisa ser superada por uma convivência maior entre pessoas e povos. Na tolerância fica implícito um distanciamento entre os sujeitos e o outro a ser tolerado. Acredito que precisamos de uma ética da CONVIVÊNCIA, a qual possa produzir uma maior intimidade, uma convivência com o outro enquanto diferença, auteridade e produzir maior aceitação do outro.

Para atingirmos o cerne destas questões os paradoxos, as aporias entre os povos, entre os grupos e as populações necessitam de muitos contatos de diversas ordens: físicas, emocionais, subjetivas,  ou seja, a troca nos mais diversos tipos de convivência são fundamentais e nisto a EDUCAÇÃO ocupa um lugar preponderante e o CIBERESPAÇO com certeza deverá sempre ser incluído, pois ele também é um espaço importante de pertinência na contemporaneidade.

Este momento histórico está produzindo conseqüências nunca antes imaginadas. O Homem não mudou muito os seus valores, a barbárie está diante de nós, porém, estas novas tecnologias na área da comunicação estão permitindo que os rastros das condutas humanas fiquem registrados e produzam provas que antes seriam impossíveis de serem captadas. Hoje, antigos acordos políticos feitos a portas fechadas estão com os dias contados. Toda sorte de gravações e filmagens feitas dentro ou à margem da lei estão vindo à tona e produzem conseqüências que podem ou não ter consistências e isto é uma questão ética importante a ser debatida nos dias de hoje.

Um novo metabolismo dos conteúdos debatidos no social está aparecendo com grande força e vitalidade. As redes sociais, todas elas, incluindo o WhatsApp, que, no momento, no Brasil, está com mais de 100 milhões de participantes, estão catalisando esse universo de mudanças.

Este processo metabólico das redes sociais esta digestão com infinitos ingredientes está produzindo o que chamei em outro texto, escrito em julho de 2013, “Sociedades de matizes: os poliálogos”, uma nova forma de expressão do social que foge completamente a lógica linear de comunicação de massas.

O poliálogo consiste em você colocar uma proposição em uma rede social, uma mensagem, ela é enviada para uma rede de “amigos”, ou somente para um deles. Porém, milhares poderão responder a sua mensagem e o que caracteriza o poliálogo é que todos podem se comunicar entre si. Você, que produziu a mensagem, perde totalmente o controle e o alcance do processo, pois rompe com a linearidade e exponencializa a informação. Chamo de poliálogo a expressão deste rico processo contemporâneo.

As redes de rádio, televisão, a mídia escrita com seus jornais e revistas estão sofrendo uma crise sem precedentes com o aparecimento dos poliálogos nas redes sociais.

Atualmente todos podem participar e interagir em tempo real com uma enorme rede interconectada globalmente por mais que as outras mídias tentem uma interação com suas audiências estas não têm o alcance das redes sociais que são descentradas. Nas outras mídias, sempre há uma central controladora que limita os poliálogos.

No citado texto de 2013, referia-me aos monólogos e diálogos nas produções midiáticas e ao alcance limitado de suas expressões sem o uso do ciberespaço.

O ciberespaço chegou através das redes sociais e estas se exprimem através de poliálogos que são as locomotivas que estão articulando virtualmente as pessoa se colocando-as nas ruas sem um centro organizador ou um líder carismático único e preponderante.

Na política elas estão produzindo mudanças nunca antes imaginadas e o aspecto mais importante a ressaltar é que os políticos tradicionais, acostumados aos conchavos, acordões e aos segredos que os possibilitavam manter os seus poderes não estão até o momento sabendo lidar com os poliálogos.

Com os poliálogos, as distinções de esquerda e direita ficam abaladas, pois uma multiplicidade de assuntos pulsam com uma velocidade imensa nas redes sociais e concomitantemente novas auto-organizações são pulsadas e atualizadas e estas sempre são imprevisíveis, o que aumenta muito a aleatoriedade dos processos.

Estas novas expressões não lineares que se expressam através dos poliálogos fazem com que se trinquem e se quebrem as antigas organizações políticas.

O poliálogo se auto- organizando nas redes sociais gera inúmeras conseqüências, e, dentre elas, a possibilidade de novas éticas serem pulsadas aprendidas e apreendidas em seus movimentos na circulação da informação. Somos todos nós, os matizes, no movimento de participação deste processo de interação no ciberespaço.

Outro aspecto importante é que não existem garantias do que está sendo pulsado e produzido nas redes, esta aleatoriedade do processo faz com que a insegurança dos políticos, e de todos nós, aumente muito e nossa sensibilidade deve ser muito mais desenvolvida do que anteriormente. Muitas incerteza se situações caóticas entram em jogo.

As intensidades destrutivas também ficam muito evidenciadas o que faz com que as atividades terroristas, por exemplo, também possam ser potencializadas pelas redes.

O que sabemos até o momento é que uma nova era está surgindo, não habitamos mais as sociedades das massas orquestradas por líderes carismáticos, e sim as sociedades de matizes, em que todos participam e que o grande espanto é que não sabemos qual paisagem será formada na somatória desses matizes.


Alcimar Alves de Souza Lima - Psicanalista e psiquiatra, Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Autor dos livros: Pulsões: Uma orquestração psicanalítica entre o corpo e o objeto – Ed. Vozes – 1996, Acontecimento e linguagem – ensaios de psicanálise e complexidade – Casa do Psicólogo - 2012, Casa das coisas – J.A. Cursino Editores e Escola como desejo e movimento – Cortez Editora –2015 em parceria com Esméria Rovai.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

No dia 20 de agosto ocorreu o lançamento do livro “Ditadura Civil-Militar no Brasil - o que a psicanálise tem a dizer”, organizado Arantes, M. Ferraz, F. (São Paulo: Sedes Sapientiae/Editora Escuta, 2016). No evento organizado pelo Departamento de Psicanálise/Instituto Sedes Sapientiae houve um debate sobre o tema do livro com a participação de alguns de seus autores. O Blog, dando continuidade à série “Conversa sobre Psicanálise e Política”, convidou uma das debatedoras para compartilhar conosco um pouco deste debate. Confiram a seguir um recorte do texto apresentado por Marlucia Melo Meirelesa na ocasião.



Nossos pacientes são os mesmos de antigamente?

Em diversos lugares do mundo contemporâneo, sofremos com a ruptura da frágil coesão que garante a integração na malha social. Há um ódio consentido, gerador de modalidades de conduta particulares, explicitamente fomentado por uma paixão brutal pela destruição do outro.
No Brasil vivemos, no atual momento, também uma grave crise em nossa recente democracia. Democracia oriunda da luta política empreendida durante todos os 21 anos da ditadura civil-militar. Surpreendentemente, caminhamos na direção contrária de nossas conquistas e esperanças. Um grupo de usurpadores, apoiado por vários segmentos da sociedade civil, vale-se de pretenso e perverso fundamento jurídico para legitimar a violência contra nossas instituições, levando ao retrocesso democrático.
Diante de nossos olhos, a apropriação do verde-amarelo encobre, novamente, o conservadorismo e sua incapacidade histórica de assumir a alteridade, a diversidade e a inclusão. Os novéis autodeclarados patriotas desaguam seu ódio, cativando, fascinando, seduzindo e submetendo parte da sociedade a este discurso retrógrado. Estamos vivendo um período de muita insensatez, com poucas perspectivas a curto prazo.
Não há como esquecer, do ponto de vista político-ideológico, as atitudes de ausência e ambiguidades, nos anos da ditadura, de dirigentes e de muitos membros das Sociedades Psicanalíticas ligadas à IPA – que na época representavam uma hegemonia entre nós –, disfarçando tácito apoio ao regime autoritário[1]. Atualmente, é insustentável a suspensão de juízo, pelos psicanalistas, sobre o que ultrapassa os limites dos consultórios. O contexto social no qual o paciente está inserido não deve ser ignorado.
O processo antidemocrático atual – que está apenas começando – será longo, demorado, sem qualquer prenúncio de saídas simbólicas criativas. Já vimos este filme antes. É a banalização da nossa história recente de lutas, é um brincar com nossa indignação.
Durante a ditadura civil-militar, as Forças Armadas assumiram explicitamente o papel repressor e o exercício da mordaça.
Hoje, esse papel está diluído e não é explicitamente assumido. Aqui e ali, novos atores se outorgam o direito de proibir a palavra de qualquer um, ungindo-se de falsa superioridade e, arrogantemente, exercem sua brutalidade, sua violência, disseminando ameaças de toda ordem, exigindo submissão.
De um lado, vitoriosos eufóricos, exultantes, ambiciosos e desafiadores nos solicitam escuta para seus dramas existenciais. De outro, a apatia, a tristeza da derrota, os descréditos no embate, na vivência das contradições, as dúvidas e constrangimentos sofridos, retomam também o caminho dos consultórios.
Buscam guarida e acolhimento tanto para dúvidas oceânicas quanto para certezas cristalinas, para ideias embaralhadas ou pensamentos estereotipados, eufóricas alegrias ou tristezas extenuantes. Ambos, na esperança de resgate do direito de livre expressão para o escoamento tanto do mal-estar sentido, quanto da suposta vitória conquistada.
O espaço clínico, seja em consultórios ou instituições, é testemunho de uma inadequação entre a representação que herdamos do paciente dito “tradicional” e estes pacientes “rebeldes” que hoje atendemos na prática do ofício de psicanalistas. Podemos, portanto, dizer que não há mais pacientes como os de antigamente[2].
 Se sustentarmos esta nostálgica posição analítica tradicional, ouso dizer que repetiremos, no interior de nossos atendimentos clínicos, a violência praticada lá fora. Estaremos surdos para os relatos atravessados pelos acontecimentos e transformações históricas em que todos estamos envolvidos, analistas e pacientes. Nossos pacientes têm o direito de bradar, falar, concordar, discordar, comentar, insurgir diante da patologia político-social em que se encontram imersos. A sessão analítica pode ser o espaço, a eles oferecido, para legitimar suas dúvidas, reconstruir valores, descrenças e revoltas.
Mesmo sabendo que há intensidades no traumático impossíveis de serem elaboradas, cabe a nós, psicanalistas, em nossas conversas clínicas ao pé do ouvido, reunirmos as condições de colaborar, a partir de nossa experiência e da especificidade de nosso questionamento, para a introdução do intolerável político em nossa clínica. Trata-se de uma condição necessária, de um lugar possível para o exercício histórico, de expansão de cidadania. Não há como deixar escapar o testemunho de uma época, da dialética de um tempo que evoca, no presente, o tempo pretérito e a condensação de outros tantos.
A pessoa que está diante de nós, inegavelmente, é um sujeito inserido em sua história, inscrito e referido às suas formações inconscientes, transformando e sendo transformado pelos valores histórico-individuais, histórico-políticos e socioculturais do mundo em que, passageiramente, habita.



[1] Velloso, M., Meireles, M. A Operatividade da Psicanálise Vivida por Enrique José Pichon-Rivière: São Paulo; Velloso Digital, 2ª ed., 2014, p. 45-64.
[2] Meireles, M. Anomia: Ruptura Civilizatória e Sofrimento Psíquico. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.


Marilucia Melo Meireles é psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, mestre em psicologia clínica e doutora em psicologia social pelo IPUSP, autora de livros.